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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS



Uma voz cantarolou debaixo da chuva. Era a preguiça que recomeçava a roer brotinhos de aroeira: 
 “não tenho medo da chuva
nem do ronco do trovão.
tomara mesmo que chova
pra molhar meu coração...” 

nininha não se conteve:
 - cale a boca, idiota. Na hora da tempestade você ficou tremendo como vara verde só faltou rezar. Agora fica aí com essa voz de assombração aborrecendo a gente. 
Veio então a procissão das águas caminhantes. Aquela parte do rio, antes tão branca, ia sendo devorada por nódoas barrentas que cresciam dia a dia. a fome das águas devorava tudo. As barreiras decompunham-se para enlamear a pureza do rio. Avolumava-se a torrente e as águas adormecidas durante o período da secar e começaram a correr com mais pressa... Sempre fora assim nos anos anteriores. As praias iam desaparecendo, borbulhando. Parecia incrível mas era inevitável que aquilo acontecesse. no local onde as garças brancas pescavam, onde os sábios jaburus conferenciavam ao entardecer, onde os mangua-ris gostavam de correr com as pernas esguias, onde as galinhas-d'água, os irerês, as inhumas, as gaivotas faziam pouso, onde o jacaré vinha aquecer seu reumatismo ao sol, onde as tartarugas desovavam... Pois tudo aquilo submergia num lençol avassalante de água que redemoinhava, que roncava, que borbulhava, borbulhava...e o rio crescia sempre. A chuva começou a formar grandes poças em torno das árvores. Focos de mosquitos formavam-se onde houvesse água empoçada. A noite perdera sua musicalidade porque a chuva estragara tudo. o canto da noite, das estrelas, da lua, fora metamorfoseado pelo zunir irritante e monótono dos carapanãs esfomeados. nininha pensava nisso tudo. Pior era o corpo retalhado do vovô, mais enegrecido, decompondo-se, meio submerso, mudo e morto para sempre. Com a chuva, uma quantidade de capim verdinho crescia envolvendo e cobrindo o seu tronco. No rio, já totalmente desprovido de praias, grandes árvores passavam, lamentando-se, arrastadas pela corrente. Um medo grande, um medo enorme, tomou conta de nininha. Aquele era o seu destino. A chuva iria até ao fim de Março. Acontecia às vezes atingir também Abril. Estava-se ainda em fins de Novembro... Começava a preocupar-se devido a um comentário do landi:- se as chuvas forem só até Março, as águas não alcançarão você. Por outro lado, a preguiça praguejante resmungava sempre:

- Diacho de chuva que não pára nunca! Também, faz dois anos que não temos uma grande chuva e que o rio não enche direito...

Indiferente à agonia da árvore a chuva prosseguia sempre na sua missão. para o seu pesadelo, na noite grande e molhada o ruído dos grandes troncos arrastados interrompia o seu sono. Vivia com o coração sobressaltado. Conhecia de longe a árvore que passava chicoteando as barreiras com o resto dos seus galhos...sentia o corpo moço e cheio de vida revoltando-se às vezes. Irritando-se contra os desígnios de calamantã. Podia entrever as folhas novas escorrendo verde, o seu tronco esplendidamente liso, notavelmente branco, liberto do sujo, acumulado pelos ventos da seca. Ao seu redor também as outras árvores vestiam-se de verde, mas um verde que significava ainda esperança e muitos anos de vida. Bonitos como elas se reflectiam nas pequenas poças d'água, espalhadas pelo chão! Feio e triste, somente o corpo do vovô, cada vez mais negro e encharcado. Quase soluçou pensando que nem todas as árvores morrem de pé. Passou Dezembro, estendendo seus dedos de chuva para Janeiro. Janeiro, ainda mais molhado e silencioso, cedeu a vez a Fevereiro. A angústia de nininha permanecia, ao mesmo tempo que seus olhos se grudavam lá no alto, na esperança de que o azul substituísse definitivamente o tom de chumbo que invadia o céu, como um vício qual nada! Parecia de propósito que suas ramas se cobrissem de um verde nunca dantes possuído. Chegara ao apogeu de sua vida vegetal. Do seu posto, lá no alto, podia divisar tudo. Enxergar a extensão da selva apodrecendo de tanto verdor. Pela força do seu tronco podia sentir a beleza da própria maturidade. e também da ponta de seus galhos observava o rio, crescendo ameaçadoramente. E Fevereiro se foi, alagado em todos os seus dias... Março não trouxe nenhuma esperança. O rio alcançara o máximo das suas barreiras. O caudal se avolumara e as árvores rastejadas caminhavam sem destino, em busca do esquecimento.- Bem, minhas amigas, enjoei daqui. Vou mudar-me. Era a preguiça se despedindo. E sem emoção alguma caminhou lentamente pelo chão. Se o céu não oferecia estrelas de noite, de dia o sol morrera. A chuva não se cansava de cair. Quando parava um pouco, era para mais tarde recomeçar brutal e insistente. E foi assim que Abril tomou vida. O rio crescia tanto, que tocava nas raízes de nininha. Não sentia o frio das águas e sim de sua angústia, porejando em todo seu ser. Cada dia que passava as águas crescentes se infiltravam mais e mais. As barreiras que sustinham suas raízes principiavam a desmoronar-se deixando à vista garras ainda não totalmente desenvolvidas e sem apoio. A terra amolecia à sua volta. Não podia falar, de aflição. Tremenda aflição, lenta e desgraçada! por que não vinha logo de uma vez? Tremiam-lhe os galhos, na expectativa.


Bendito o raio que caridosamente matara vovô! Pelo menos ele não testemunharia sua tristeza. Tia tucum nem falava mais. Ficava com os olhos grudados na água o dia inteiro. O velho landi nem resmungava para não aumentar o seu tormento. Por vezes olhava para ele, tão grande e altaneiro, e cismava: “nunca essa água chegará até ele. Se os índios não o descobrirem morrerá ali mesmo...” agora, qualquer vento mais forte poderia arremessá-la sobre as águas. Se ao menos a chuva parasse e o rio deixasse de encher... Qual nada! Lá vinha ele aumentando e mais manchado de barro, subindo, apresentando mais redemoinhos e borbulhas. Chegou o meado do mês. Um vento cresceu do outro lado e encrespou ainda mais as águas do rio. Observou desesperadamente o sopro que se aproximava. O vento estremeceu com força as suas folhas. Seu corpo mal fixado vacilou para um lado e para o outro. Tia tucum gemeu desgraçadamente:- agarre-se bem, nininha! Um desalento inundou-lhe o cerne. O landi gritou, em tom roufenho: - não esmoreça, minha filha! Equilibre-se, que você vai resistir ao vento. Pela primeira vez nininha descobriu que o landi possuía uma alma e que lágrimas escuras respingavam o seu tronco vincado.- Equilibre-se, nininha! A chuva anda mais fraca e vai parar nestes três dias. Se você resistir agora poderá viver muito tempo ainda. mas o vento aumentava e sua fraqueza se alastrava mais.- Agora é tar... de... muito tar... de...o landi comentou, dirigindo-se a tia tucum: - ela não quer mais viver! Suas palavras ficaram perdidas e foram arremessadas para longe. O vento crescia mais e as águas eram atiradas, loucas, num banzeiro fantástico. Principiou a sentir tonturas. O silvo do vento penetrava em todo seu corpo. Ficou balançando sem poder aprumar-se. Foi lá, veio cá. Girava, tonta, em todas as direcções. Pesava-lhe o corpo sobre a fraqueza das suas raízes.um estalo!... As forças cederam. Um grito de angústia de tia tucum e o seu corpo se projectou, no começo devagar e logo após com grande ímpeto, nas águas barrentas. Sentiu então aquele grande frio. O rio arrastando-a, girando-a, em meio a grandes círculos, e a torrente puxando-a para longe…"
Extraído do Livro “Rosinha minha Canoa” de José Mauro de Vasconcelos.
Páginas 41, 42 e 43. 
Li pela primeira vez este livro, pela mão da minha irmã Lita quando ainda era menina e ela me maravilhava com as suas leituras. José Mauro de Vasconcelos, foi o primeiro autor que eu conheci no mundo literário, e depois dele, nunca mais ninguém teve a magia de me fazer dar as gargalhadas que eu dava ao ler certas passagens dos seus livros. 
O meu poeta com Alma de Poeta, cuja sensibilidade e meninice conquistou o meu coração e a minha imaginação. Ainda hoje viajo com ele através das suas personagens incrivelmente ricas de detalhes, ternura e realidade. Sei todos os seus livros de cor, no entanto cada vez que os releio as emoções são sempre diferentes, magníficas e mais intensas. A minha alma enriquece-se a cada instante de amor e de compaixão com que José Mauro retracta as situações vividas pelas suas personagens e as cores com que pinta o nosso imaginário, são de um puro e enorme arco-íris.
MUITA LUZ!

terça-feira, 14 de maio de 2013

A FADA CELESTE



Celeste é uma fadinha de asas azuis,
Que vive a voar entre as flores. 
Carrega pólen em suas asas e vive a brincar de pega-pega com as borboletas, abelhas e besouros.
Celeste mora no meu jardim, que vive sempre florido, pois não permite que agridam a natureza.
Ela chora quando pisam as flores ou maltratam seus amigos, e lança seus encantamentos em multicores nas asas das borboletas e nas pétalas das flores.
Celeste não aparece para qualquer um, só para quem tem olhos de ver, que não agride a natureza pode a fada Celeste ver.
Quando você passar por um jardim, preste bem atenção, quem sabe não vê a Fada Celeste a brincar entre as borboletas ou a beijar suavemente as margaridas, brincando de esconde-esconde entre as flores, ou ainda, brincado de cavalinho com as libélulas?
Só não vá querer prender a fadinha nem seus amigos, pois se o fizer, o jardim vai secar de tristeza, as flores vão murchar,
A terra secar, e vai chorar a natureza.
Jorge Linhaça

MUITA LUZ!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

PARÁBOLA


Um dia, um mendigo estava a andar com um prato de arroz na mão, quando parou ao seu lado o Rei daquele lugar. O Rei pediu então ao mendigo um pouco do seu arroz. O mendigo nessa altura olhou para o rei e pensou: Ele pode ter de tudo o quiser e está a ser muito mesquinho comigo. Pegou deste modo num único grão de arroz e deu-o ao Rei. O Rei então, fechou o grão de arroz dentro da mão do mendigo, tocou no seu cavalo e foi-se embora. Quando o mendigo abriu a mão, apanhou um enorme susto. O grão de arroz tinha-se transformado numa pepita de ouro. Neste momento, o mendigo olhou para o prato de arroz e saiu a correr atrás do Rei, dizendo:
-Por favor, Majestade, pare. Eu mudei de idéias, eu dou-lhe mais do meu arroz. Ao que o Rei respondeu:
 - Não. Porque você já recebeu tudo aquilo que colocou na vida, de bom grado e de bom coração.
A Reter:
“O que se recebe da vida é aquilo que nela se dá primeiro e de boa vontade, nem mais nem menos. É a  lei..." 
  MUITA LUZ!

domingo, 23 de dezembro de 2012

A ESTRELA

Estava Deus, a caminhar, sossegadamente, pelo universo... Contemplava sua criação, e, aproveitando o passeio, verificava se tudo estava correndo bem. Em certo ponto de sua caminhada, deparou-se com uma de suas estrelas, num choro compulsivo... Com certa tristeza, aproximou-se e perguntou docemente: -- Por que choras, minha filha? A pobre estrela, aos prantos, mal conseguia falar: -- Sabe, meu Pai... Estou triste... Não consigo achar uma razão para a minha existência... O sol, com toda a sua magnitude, fornece calor, luz e energia às pessoas... As estrelas cadentes, incentivam paixões e sonhos... Os cometas, geram dúvidas e mistérios... E eu, aqui... parada... Deus ouviu tudo atentamente... Com doçura e paciência, decidiu explicar à estrela os porquês, porém, foi interrompido por uma voz, que vinha de longe... Era uma criança, que caminhava com sua mãe, em um dos planetas da região... A criança dizia à sua mãe: -- Veja mamãe! O dia já vai nascer! A mãe ficou meio confusa... Como podia, uma criança, que mal sabia as horas, saber que o sol já nasceria, mesmo estando tão escuro? -- Como você sabe disso, meu filho? -- Veja aquela estrela! Papai me disse que ela anuncia o novo dia. Ela sempre aparece pouco antes do sol, e aponta o lugar de onde o sol vai sair... Ouvindo aquilo, a estrela pôs-se a chorar... Deus, calmamente lhe falou: -- Podes ver? Sabes agora, o motivo de tua existência? Tudo o que criei, fiz por alguma razão de ser. És a estrela que anuncia o novo dia. E com o novo dia, renovam-se as esperanças, os sonhos... E serves para orientar os homens, para onde caminhar. Ao te ver, sabem que não estão perdidos, pois sabem qual o seu destino. A estrela ouviu tudo atentamente... Sentiu uma alegria celestial invadindo sua vida... A partir de então, ela brilhou cada vez mais, pois sabia que era importante e indispensável ao ciclo da vida. 

Todos nós temos uma razão para estarmos aqui... Mesmo se não soubermos qual é exactamente esta razão, devemos viver a vida intensamente, semeando amor e espalhando alegrias... Só assim, a estrela que habita em nossos corações brilhará mais forte, iluminando a todos que estão à nossa volta. Fazendo isso, estaremos iluminando nossas próprias vidas.

Desejo a Todos um Auspicioso e Iluminado Natal.

MUITA LUZ!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A FONTE DA SAÚDE



Amélia era uma menina muito simpática. Na aldeia onde morava todos gostavam muito dela, porque estava sempre disposta a ajudar quem necessitasse, levava os sacos das mulheres que vinham do mercado, guardava segredos e todas as tardes ia a casa de Dona Beatriz contar-lhe uma história. A pobrezinha estava muito velhinha e quase não via, por isso a Amélia entretinha-a a ler-lhe histórias.

Um dia, a mãe de Amélia não conseguiu levantar-se da cama. O médico pediu-lhe para deitar a língua de fora, tomou-lhe o pulso, pôs-lhe o termómetro e acabou por lhe receitar umas vitaminas que não fizeram nada. E o caso era preocupante, porque a cada dia que passava a mulher ia ficando com pior aspecto. Amélia e o pai estavam muito preocupados, de tal modo que até a levaram ao hospital onde lhe fizeram muitos exames, utilizando todos aqueles aparelhos que são tão esquisitos que até nos assustam um pouco, mas nada, nenhum médico descobria o que se passava com a mãe da Amélia.

A menina foi visitar a Dona Beatriz e contou-lhe o que se passava com a sua mãe, para ver se a anciã que tinha vivido muito a podia ajudar.
- Eu não te posso ajudar, querida, mas pede ajuda aos gnomos.
- Aos gnomos? Mas gnomos não existem no mundo real, só nas histórias, Dona Beatriz!
- Há muitas coisas neste mundo real, como tu lhe chamas, que não conseguem ser vistas com os olhos. É preciso olhá-las com a imaginação e imaginação não te falta – continuou a velhinha – as tuas histórias são tão bonitas que até parece que os gnomos vêm sentar-se no parapeito da minha janela para te escutarem. Não há nada de que gostem mais do que uma história bem contada!
- Mas… - a menina não queria acreditar no que ouvia.
- Experimenta. Olha para a janela do canto do olho e pensa que os vais ver. No princípio parece difícil, mas depois…
Amélia seguiu o conselho de Dona Beatriz… E nada. Quando estava quase a desistir pareceu-lhe ver um movimento.
- Estás a vê-los? – Perguntou a Dona Beatriz – estás a vê-los?
Realmente estava a vê-los. Sobre o parapeito da janela estavam quatro homenzinhos muito pequenos, que lhe acenavam. Amélia apresentou-se e contou-lhes o que se passava. O Rei dos gnomos, que era um dos que costumavam ir ouvi-la, disse-lhe:
- Espera aí, eu já volto. Vou ver a tua mãe.
E desapareceu. Pouco tempo depois, quando voltou a aparecer, olhou para a Amélia com um ar preocupado:
- A tua mãe tem uma ferida muito pequena no pé direito. Deve de ter pisado um objecto pertencente a um dos duendes travessos, um objecto maligno infectado e por isso a ferida está a consumi-la.
- E não se pode fazer nada? – Perguntou a menina.
- A tua mãe só se salvará se lhe lavares a ferida com Água da Fonte da Saúde. Mas a fonte pertence a esses duendes malvados, uma espécie de pequenos trols tão maus como os seus irmãos mais velhos…
- Tenho de conseguir um pouco dessa água! – Interrompeu a menina.
- … E o pior é que essa água só pode ser transportada na taça de Olgum, um recipiente mágico que também se encontra em poder desse povo. E não pode ser derramada só uma gota! – Terminou o gnomo. – Deixa-me pensar no assunto e amanhã digo-te se encontrei alguma solução.
No dia seguinte, a menina chegou a casa de Dona Beatriz muito mais cedo do que habitual.
- Falei com o meu povo e decidimos ajudar-te – comunicou-lhe o Rei. – Mas tens de nos prometer que vais continuar a contar-nos histórias tão belas como a que acabaste de nos contar.
- Claro! – Respondeu Amélia – Que devo fazer?
Os gnomos acompanharam a menina à aldeia dos duendes. O Rei disse-lhe que esperasse escondida, atrás de uma grande rocha. Então os gnomos aproximaram-se dos duendes e estes furiosos começaram a persegui-los, foi nessa altura que a Amélia aproveitou e entrou num casebre onde estava guardada a tala de Olgum, para a encher de água na Fonte da Saúde e sair a correr.
Os gnomos desorientaram os duendes, transformando-se em cogumelos, pedras e outras coisas do bosque. Os duendes muito aborrecidos não tiveram outro remédio senão voltar para casa.
Amélia por seu lado, teve o bom senso de tapar a boca da Taça de Olgum, para não entornar nem uma gota da água milagrosa… O que foi bastante difícil, pois a taça (que tinha muito mau feitio) tentou morder-lhe um dedo. No entanto conseguiu mantê-la tapada, colocando-lhe por cima a palma da mão muito aberta, enquanto corria.
Finalmente, chegou a sua casa com a água da Fonte da Saúde e a primeira coisa que fez foi lavar cuidadosamente a ferida da mãe. De imediato ela começou a ganhar cor e, em poucos dias, recuperou por completo, para grande alegria da Amélia e do seu pai.
A menina cumpriu a promessa que fizera ao Rei dos gnomos, e todas as tardes, voltava a casa de Dona Beatriz, para contar as suas histórias a ela e à multidão de gnomos que se sentavam no parapeito da janela. 

Texto extraído do livro:
 O Bosque Encantado – “A Lenda Dos Gnomos” de Fernando Martínez.

MUITA LUZ!



sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Segundo Reza a Lenda, tudo começou no dia em que um homem, contratou um carpinteiro para o ajudar com uns trabalhos lá na quinta.
O primeiro dia de trabalho do carpinteiro, não foi nada fácil, o pneu do carro furou, a sua serra eléctrica partiu-se, cortou por causa disso um dedo e ao final do dia de trabalho terrível, o seu carro não pegou.
Perante tal cenário, o homem da quinta que o tinha contratado, resolveu dar-lhe boleia até sua casa. Durante todo o caminho o carpinteiro nada falou. Quando chegaram, o carpinteiro convidou o homem, para entrar e conhecer a sua família. Quando estavam a dirigir-se para a porta de entrada da casa, o carpinteiro parou junto de uma pequena árvore e muito gentilmente tocou com as suas mãos as pontas dos ramos. Depois abriu a porta de casa e o carpinteiro transformou-se.
Os braços que antes estavam tensos, abriram-se em par, o seu rosto antes marcado pela preocupação, agora exibia um sorriso enorme enquanto abraçava a esposa e seus filhos.
Mais tarde, quando o carpinteiro acompanhava o homem até ao carro e quando passaram pela pequena árvore, o homem não resistiu e perguntou-lhe:
- Porque é que o senhor tocou na árvore antes de entrar em casa?
- Ah! Porque esta é a minha árvore dos problemas. Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, como aconteceu hoje. Mas estes problemas não devem nunca de chegar até à minha esposa e aos meus filhos. Os problemas, não devem de entrar em casa. Então, todas as noites quando eu chego do trabalho, deixo os meus problemas aqui nesta pequena árvore e no dia seguinte levo-os de novo para o meu trabalho.
E o senhor quer saber de uma coisa curiosa? Todas as manhãs, quando eu venho buscar os meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado no dia anterior!

Esta história serve para nos lembrar que a maior parte das vezes transformamos um problema, em algo enorme e absolutamente desproporcional, relativamente à importância que ele tem. Levamos esses problemas para casa e eles acabam por fazer um reboliço desgraçado, discute-se com os conjugues, ralha-se com os filhos e até os animais levam ralhetes, coitados! E os nossos nervos ficam em frangalhos e os problemas mantêm-se, pior, agora temos mais problemas, porque temos de fazer as pazes com o marido, falar com os filhos e dar mimos aos nossos animais que olham para nós desconfiados e não perceberam nada!
Devíamos todos de ter também uma pequena árvore de problemas à entrada da porta das nossas casas, para que possamos aprender a deixar os problemas de casa fora de casa e cada um no seu lugar, para os conseguirmos resolver com calma e da melhor forma. Não acham?
MIA PÚRPURA

Desejos de um Iluminado Fim-de-semana.
MUITA LUZ!

Este texto foi redigido de Acordo com o Antigo Acordo Ortográfico.
Imagem retirada da net, desconheço o autor

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


“Reza a história que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, todas as noites, que, certa vez, o chefe mais rico da grande caravana chamou-o à sua presença e perguntou-lhe:
— Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?
O árabe crente e fiel respondeu:
— Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.
— Como assim? — indagou o grande chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
— Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
— Pela letra.
— Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?
— Pela marca do ourives.
O velho árabe sorriu e acrescentou:
— Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?
— Pelos rastros — respondeu o grande chefe, surpreendido.
Então, o velho árabe crente convidou-o a sair para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava intensa cercada por multidões de estrelas, exclamou respeitoso:
- Senhor, aqueles sinais lá em cima, não podem ser dos homens!
Nesse preciso momento, o orgulhoso e rico chefe da caravana, de olhos cheios de lágrimas, ajoelhou-se na areia e começou a orar também.”



Contos de Meimei

MUITA LUZ!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DUMBO - O ELEFANTE BEBÉ


As cegonhas sobrevoavam um circo de inverno à procura das mães dos filhotes que carregavam nos seus grandes bicos. Todas tinham um filhote, a mãe ursa, a mãe girafa, a mãe hipopótamo, a mãe camelo, só a mãe elefante a Dona Jumbo não recebeu o seu filhote tão esperado. Ainda assim o circo continuou a sua vidinha normal, atraindo muita gente e proporcionando bastante diversão. Eis senão quando, se vê no ar uma cegonha que chega atrasada, e que traz no seu enorme bico o tão esperado filhote da Dona Jumbo. Meu Deus, que alegria! Gritou Dona Jumbo, resolveu chamar-lhe Jumbo Júnior. Todos os animais do circo vieram ver o novo filhote, a curiosidade era geral.

- Mas que orelhas tão grandes! Disse a mãe ursa, realmente são enormes, disse a mãe girafa, então o seu nome será Dumbo!


Jumbo Júnior, ou Dumbo, pouca importância tinha para Dona Jumbo, pois ele era precisamente o filhote que tanto tinha esperado e ela tratava-o com muito amor e com muito carinho.


Foi desta maneira tão carinhosa que mãe e filho passaram a sua primeira noite juntos, muito quentinhos.
No dia seguinte, o público começou a chegar para o grande espetáculo. Dumbo chamou muito a atenção de todos, pois as suas orelhas eram mesmo enormes. As crianças começaram a zombar e a Dona Dumbo, tal como todas as mães, foi defender o seu filhote daquela zombaria, mas excedeu-se demais. Acabou por ser presa numa jaula, Pobre Dumbo, ficou sozinho.
As companheiras da Sra. Jumbo, ignoravam o elefantinho que precisava apenas de um pouco de atenção. Mas Timóteo, um simpático ratinho, que estava sentado a comer as sobras de amendoim deixados pelo público, observava tudo e ficou indignado com a atitude daqueles paquidermes e resolveu ajudar Dumbo. Tornou-se então o melhor amigo de Dumbo!



 No dia seguinte, o número que os elefantes iriam apresentar seria a formação de uma pirâmide e do topo Dumbo seria lançado. Timóteo como seu amigo, deu-lhe a maior força, mas foi um desastre! Dumbo então foi transformado num palhaço! Mas Dumbo estava muito triste, pois ele era um elefante e não um palhaço!
Timóteo para animá-lo conseguiu que Dumbo fosse ver sua mãe na jaula. Sra. Jumbo naquela noite ninou o seu bebê! No dia seguinte, no meio de tanta brincadeira, sem querer os dois amigos subiram para uma árvore e deixaram-se dormir. Nessa árvore estavam um bando de corvos, que os observavam. Timóteo quando acordou, levou um susto e por muito que pensasse, não encontrava uma resposta sobre como é que tinham ido para alí, foi então que descobriu que eles poderiam ter voado!


- Acorde Dumbo! Você pode voar, suas orelhas são perfeitas asas - Disse Timóteo! Dumbo recusava-se perante tal ideia, voar? Nem pensar!
Então nessa altura os corvos que os tinham observado, contaram-lhe a verdade, ele tinha voado até ali, Dumbo continuava incrédulo. Os corvos para o incentivar a voar, dão-lhe nessa altura uma pena e Timóteo aproveitando a deixa, começa a girar a pena várias vezes e grita para Dumbo – É uma  Pena Mágica. - Voe, Voe, bata as asas, vamos!
Você pode! Você pode! - Gritava Timóteo!
Finalmente Dumbo encheu-se de coragem e voou!

 No dia seguinte, Dumbo transformou-se na principal atracção do circo. Usando as suas orelhas, ele fez o que nenhum outro elefante conseguiu fazer: Voar!
Agora, Dumbo era um verdadeiro herói e brilhava como uma estrela, a Estrela Voadora do circo, trazendo alegria e diversão para todos.

E foi assim que Dona Jumbo, Dumbo e Timóteo, viveram no circo felizes para sempre!

Muita Luz!
Imagens retiradas de pesquisa na net, desconheço os seus autores.




sábado, 24 de março de 2012

O OURO DOS GNOMOS


Dizem que os gnomos são os guardiões de muitos tesouros. Principalmente do enorme caldeirão de ouro que se encontra no fim do arco-íris. Vou-vos contar de seguida a história de Manuel, um menino que viu os gnomos procurarem um tesouro…
Manuel era um menino pobre, filho de uma costureira. A mãe de Manuel não parava de cozer, mas a sua chefe uma senhora muito antipática que se chamava Dona Eulália, pagava-lhe muito pouco. Margarida a mãe de Manuel estava a terminar um vestido de festa para uma das filhas de Dona Eulália.

- Ai, ai – suspirou enquanto cozia.
- Que se passa mamã? – perguntou Manuel.
- Nada filho, sinto a falta do teu pai, se ao menos ele aqui estivesse…
- Não te preocupes, ele um dia vai voltar. É o que tu sempre me dizes.
- Sim filho ele vai voltar – repetiu a mãe – mas há tanto tempo que partiu que já quase não me lembro de como ele é.

Foi nesse momento que Dona Eulália entrou muito aborrecida.
- Então esse vestido ainda não está acabado?

Margarida entregou-lho, depois de dar o último ponto e Dona Eulália olhou e voltou a olhá-lo, à procura de algum engano, mas o vestido estava tão bem feito que ela teve de se ir embora, ainda mais aborrecida.
- Porque está ela tão aborrecida? – perguntou o menino admirado.
- Meu filho, há pessoas que só estão bem com os outros e a criar confusão, e quando não lhes dás motivos … então zangam-se. A mãe abraçou-o e começou a chorar.
- O teu pai disse ela, está prisioneiro no castelo de uns piratas muito maus. Eles pedem um resgate em ouro pela sua vida e se não pagarmos nunca mais o veremos.
- Vamos ver então se a Dona Eulália e o marido nos podem ajudar.
- Meu filho, há uma coisa que nunca te contei. O teu pai e o Sr. Agostinho, o marido de Dona Eulália eram sócios. O teu pai trazia as mercadorias de países longínquos e eles ocupavam-se das vendas. Quando da última viagem, o teu pai não regressou disseram que tinham perdido muito dinheiro. Muito me ajudaram a dar-me trabalho, mas… bem, a verdade é que eles não nos vão ajudar.

Apesar do que a mãe lhe tinha dito, Manuel foi a casa de Dona Eulália e do Sr. Agostinho, mas estes receberam-no com maus modos.
- Dar-te dinheiro? Vai procurar o dinheiro dos gnomos…

Manuel voltou para casa triste e contou à mãe a resposta curiosa que o casal lha havia dado. Foi quando a mãe explicou ao filho que segundo a lenda, os gnomos guardam um caldeirão cheio de ouro no fim do arco-íris, mas isso não passava de uma história.
Nessa tarde caiu uma enorme chuvada e logo de seguida o sol despontou. Então formou-se um lindo arco-íris, Manuel ao vê-lo sentiu um aperto no coração.

“Pode ser apenas uma lenda – disse para si mesmo – mas é a minha única esperança.” Pegou numa pá e começou a caminhar para o local onde terminava o arco-íris. Andou e andou muito, mas cada vez que lhe parecia que tinha chegado, o arco-íris mudava de lugar. Seguiu-o durante horas a fio, até que teve de se dar por vencido. Atirou-se para o chão exausto e começou a soluçar, foi então que ouviu uma vozinha que lhe perguntou:
- Porque choras tu rapaz?
- Porque não consigo encontrar o fim do arco-íris – lamentou-se – é onde os gnomos guardam um caldeirão cheio de ouro e se eu o encontrasse poderia salvar o meu pai que está prisioneiro dos piratas.
- Mas então tu não sabes que os gnomos não existem? – perguntou a voz.
- Mas o meu pai sempre me disse que, se necessitares de algo e o pedires com muita fé, acaba por se tornar realidade. Por isso para mim os gnomos têm de existir!
- Sabes de uma coisa? Parece que afinal o teu pai tinha razão.

Manuel olhou na direção da vozinha e estupefacto viu um pequenino gnomo que lhe sorria no tronco de uma árvore.
- De qualquer maneira – disse o pequeno ser – não necessitas de ouro. E dizendo isto desapareceu.

Manuel pensou que deveria de ter sonhado, mas qual não foi a sua surpresa quando ao voltar a casa encontrou a mãe com um enorme sorriso.
- Manuel, meu filho olha quem chegou – disse afastando-se da porta para que ele pudesse ver o seu pai que lhe sorria feliz. Abraçaram-se os três muito felizes. Durante o jantar o pai de Manuel contou-lhes das aventuras, tinha percorrido muitos países e enviado muitos tesouros que haviam sido interceptados por Dona Eulália e o marido, é verdade tinha estado prisioneiro de uns piratas, mas tinha conseguido escapar graças à preciosa ajuda de uns amigos muito especiais…

- … e um deles contou-me que esteve a falar contigo, - disse piscando o olho ao filho – qualquer coisa sobre um caldeirão…
Nessa altura os olhos de Manuel brilharam, agora compreendia o verdadeiro ouro não era o que se encontrava no caldeirão, mas sim o amor que nos enche o coração!

MUITA LUZ!
fontes: Texto de Fernando Martínez, do livro A Lenda dos gnomos. Imagem retirada de pesquisa na net desconheço o autor.

WILD SPIRIT

Muitas Almas Reencarnam nesta Vida Como Espíritos Livres E é Assim que Permanecemos até ao Resto das Nossas Vidas, Teimosamente livres!     ...