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domingo, 19 de janeiro de 2014

OS SONHOS


Eu não sei viver sem sonhar. Sem os meus sonhos o mundo seria mais pobre, mais triste. Os meus sonhos fazem-me rir. Bem, se eu não tivesse sonhado, eu não existia. As pessoas grandes deviam de continuar a sonhar, mas elas esqueceram-se de como o fazer. Perderam a memória das fronteiras do tempo, aquele tempo em que nada nos impedia de voar, de falar com os animais ou de nadar no espaço… Mas eu não, eu continuo a sonhar, a ouvir a voz do vento, os dedos da chuva e o abraço do sol. As pessoas procuram e não encontram o que procuram, porquê? Porque o que procuram está bem dentro de nós, a felicidade e o fim de todo o sofrimento só o conseguimos se sonharmos, porque o sonho é a Pedra Filosofal que tantos demandam, “o sonho comanda a vida e cada vez que o homem sonha, o mundo pula e avança como uma bola colorida, nas mãos de uma criança!”. Como descreveria os meus sonhos? Bem, são energia pura, como se fossem um grão de areia na palma da minha mão cheio de luz, prontinho a germinar. É como se a magia estivesse sempre presente e eu fosse capaz de tudo, e sou! Nos meus sonhos a vida adquire tons púrpura, lilases e transcendentais. É o êxtase da vida. O mundo morreria se eu deixasse de sonhar, não o vosso mundo, mas o meu. Agora imaginem bem, cada um de nós tem um mundo próprio, e se cada um de nós deixasse de sonhar? Morreriam muitos mundos por aí a fora e no fim, o Mundo Maior morreria por falta de sonhos e de fantasia, seriamos automáticos, programados. Quanto a vocês eu não sei, mas eu? Nunca vou deixar de sonhar, até porque um dia eu vou voltar a sonhar que estou de novo aqui, não acreditam? Então sonhem e verão o poder da magia…
MIA PÚRPURA


MUITA LUZ!
Imagem retirada de pesquisa na net, desconheço o seu autor.

terça-feira, 17 de abril de 2012


Faz hoje três anos que me despedi de ti,
Compreendo que tinhas de partir, respeito o que querias, mas não entendo até hoje porque apressas-te as coisas…

Ninguém pode nunca sentir na verdade o que sente um doente de cancro terminal, por isso, quando falaste para mim pela última vez e me disseste: “deixa ver o que é que isto vai dar…” nunca mais me vou esquecer de que tive a nítida sensação de que tu já sabias o que iria acontecer e só aceleraste o processo para nos poupar a dor e porque achaste que eras um fardo e que só nos davas trabalho.

Minha querida irmã Minda, eras mesmo a minha mana mais velha e a mais sábia dos mistérios da vida. Fazias parte das nossas vidas, não como um fardo, mas como a alegria que eu sentia sempre que chegava a casa e batia na tua porta, mesmo antes de entrar na minha casa. Nunca me deste trabalho nenhum com a tua doença, foi com todo o meu amor que te mudei pensos, tirei pontos esquecidos pelos médicos, te fiz massagens para descolar as costuras e pus cremes para hidratar as cicatrizes. Foi com muito amor que olhava para ti e te achava linda, enquanto tu te sentias tão feia por estares tão inchada devido à cortisona brutal que ingerias.

Lembro-me muito das longas conversas que tínhamos e dos risos doidos que dávamos, adorava roubar-te a tua almofadinha de sumaúma, e tu sempre deixavas eu dormitar um pouco com ela, dividia-mos a almofadinha. Como dividimos segredos, e alegrias. Criámos os nossos filhos juntas, estivemos sempre as duas presentes nas piores situações que os nossos filhos nos arranjaram, como partir os vidros das portas da entrada do prédio com boladas e outras peraltices, até que decidimos fazer um seguro para cobrir tanto disparate que eles faziam, mas nunca me lembro de nenhuma de nós se zangar com eles, e isso ninguém entendia. Sabes tive consciência da tua partida, mas até sentir na minha cara a poeira das tuas cinzas, a poeira e nuvem do que eras, só aí é que cai em mim e vi que fiquei sozinha!

Passados 3 anos, a dor ainda magoa o peito, mas sei que estás bem, livraste-te de um corpo doente e o teu espírito pode finalmente ser livre. Tenho agora consciência de que queremos sempre que quem amamos fique, por puro egoísmo. Por muitas saudades que eu tenha tuas, eu nunca iria querer que vivesses com dores ou infeliz.

Tenho sempre presente comigo um pensamento que me aflora à mente quando sinto mais a tua falta, é que tive a oportunidade de te dizer ainda em vida: “Mana, amo-te muito, gosto muito de ti” e dei-te muitos beijinhos. E tu olhaste para mim e sorriste!

Até um dia Mana Minda, onde nos voltaremos a encontrar. Pois a minha alma, conhece a tua e mesmo que passem séculos, procurar-nos-emos e iremos nos reunir e encontrar de novo!

Até logo, meu Anjo.

MUITA LUZ!

 

sábado, 16 de abril de 2011

EM MEMÓRIA DA MINHA QUERIDA IRMÃ MINDA.

Faz hoje 2 anos que me morreste! Estivemos sempre juntas, por pior que estivesses eu estava lá. Quando fizeste a primeira quimioterapia e tiveste que cortar o teu cabelo, eu cortei o meu cabelo com a máquina para te sentires melhor e funcionou, quando saiamos juntas não olhavam só para ti, mas para nós as duas, porque nem tu nem eu tínhamos cabelo. E nós riamos e divertíamo-nos com isso. Quando começaram as cirurgias, voltavas sempre para casa muito combalida mas eu estava à tua espera, sentia as tuas dores o teu desconforto, deitava-te na cama aconchegava-te as almofadas e simplesmente deitava-me a teu lado sem dizer nada, esperava pacientemente que quisesses começar a comunicar, só então é que falava contigo. Durante 9 anos, vivi toda a tua luta diária contra o cancro, assisti a coisas que nunca me irei esquecer e falamos de coisas que nunca irei dizer. Dava-te a medicação, fazia-te massagens nas costuras das cirurgias durante horas para que a costura interior se descolasse e te conseguisse aliviar as dores. Cheguei a tirar-te pontos das costuras porque te incomodavam e não dizia-mos a ninguém, já sabíamos que nos iam chagar o juízo. Éramos cúmplices em tudo, os nossos maridos sempre estiveram à margem dos nossos dias. Lembro-me de que mesmo quando o teu diagnóstico piorava, estávamos sempre a rir, tinhas um riso lindo e adoravas todas as parvoíces que eu dizia. Nós as duas falávamos sempre do cancro com muita frontalidade, sem medos nem rodeios, fazíamos planos para quando viesse o pior cenário, estávamos preparadas para o pior. Mas o pior ia sempre sendo adiado, tu lutavas e resistias e eu apoiava-te dia e noite e não te deixava perder a esperança, nem a alegria de viver. Todos os anos fizeste uma cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A pior químio que fizeste fez com que te caísse todas as tuas unhas, mas é que nunca ninguém vai sequer poder imaginar o teu sofrimento, não conseguias tocar com as mãos em nada, aí eu vestia-te, dava-te de comer, dava-te banho e tratava de te por sempre confortável e nunca e deixei sozinha. Sofria contigo, chorava contigo, ria contigo. Até ao dia 14 de Abril, em que pioraste tanto que tiveram que te vir buscar de ambulância para te levar para o IPO. Uma metáste do cancro tinha-te subido ao cérebro e tu já nem falavas, agarrei-me aos meus filhos e ao teu filho, olhámos para ti, olhámos para a ambulância a afastar-se e nesse instante eu senti que nunca mais te iríamos ver com vida. E foi isso que aconteceu, no dia 15 de Abril de 2009 MORRESTE-ME! Fiquei com os meus filhos e com o teu filho, se fosse ao contrário sei que farias o mesmo, o teu marido não vive com o teu filho, partilham só a mesma casa. Aqui na minha casa o teu filho desabafa, ri-se, estuda e come quando quer, nunca o obrigo a nada, vai connosco de férias para onde nós vamos, dorme aqui quando quer, a minha casa é a sua casa. Hoje fomos só o teu filho e eu, logo bem cedinho ao cemitério, precisávamos de um momento de silêncio no sítio onde colocaram as tuas cinzas. Ele deixou-te uma rosa branca, eu não te deixei nenhuma flor, deixei-te a certeza de que podes ficar descansada que vou cuidar do teu filho, como cuido dos meus, com muito amor, carinho e compreensão. São todos adolescentes, têm manias, ideias malucas e estão sempre a esticar a corda para experimentarem coisas novas, nós também já fomos assim, por isso é que os compreendo. Hoje senti que estás bem, em paz, fico contente e feliz por ti, o teu espírito está livre, livre de um corpo doente, livre de dores. Muitas vezes sinto o teu espírito perto de mim, nessas alturas falo muito contigo, falamos as duas durante muito tempo sem sequer trocarmos nenhuma palavra. Deve parecer estranho, mas eu sou assim e tu sabias disso e gostavas de mim, mesmo eu tendo nascido com “defeito de fabrico”. Faz hoje 2 anos que te foste embora, e a minha alma perdeu algo que nunca mais vai encontrar aqui nesta vida, TU! Não me deixaste só sozinha, deixaste-me perdida. Perdida de mim. Até sempre Mana Minda, ficarás para sempre no meu coração. Saudades. Beijinhos e palhaços como sempre dizíamos.
Muita Luz!     

WILD SPIRIT

Muitas Almas Reencarnam nesta Vida Como Espíritos Livres E é Assim que Permanecemos até ao Resto das Nossas Vidas, Teimosamente livres!     ...