A RAÇA
DO ALENTEJANO?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho... E também não é bem judeu, nem bem cigano. Como é que hei-de explicar? É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a
paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me
chateie"; dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos
prazeres da vida; dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas
e autobiográficas; dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito
especial de nos escarrancharmos nos camelos; dos ciganos, a esperteza de
enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a
nós; dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto; e dos vermelhos,
essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça
pura, é uma raça apurada. Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores
ingredientes de cada uma das raças. Não é fácil fazer um alentejano. Por isso
há tão poucos...
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus. Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus: nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso
quando afirma que «as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o
contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado
por um alentejano? Era um descanso."
Santana-Maia Leonardo, "Rexistir" (2012)
Santana-Maia Leonardo, "Rexistir" (2012)
MUITA LUZ!









