sábado, 24 de setembro de 2011

TEMOS DE APRENDER A TIRAR O MELHOR PROVEITO DA VIDA!

Olá, hoje vou falar de um assunto que creio ser praticamente comum a todas as mulheres. Estou a referir-me ao facto de a grande maioria das mulheres trabalhar fora de casa, claro que os maridos também, só que existem umas diferençazinhas:
Vou falar de mim, levanto-me às sete horas da manhã, tomo o pequeno almoço entre a agitação que ocorre à minha volta “mãe viste o meu fato de ginástica?” na gaveta do fundo, respondo eu entre dentes visto estar a tentar não me engasgar com a torrada que tenho na boca. “mãe tens aí 20 euros?” aí eu dou um grande trago de café com leite e respondo, quê? 20 euros para quê? Ao que o meu filho responde com a maior naturalidade do mundo, “para almoçar na universidade e depois fazer uns trabalhos e não venho jantar, como também por lá!” então e tu dizes-me isso assim a esta hora da manhã, deves de achar que eu tenho cara de caixa multibanco, não? Respondo eu já levantada e a agitar a caneca do café com leite na mão. Diz então o meu filho “olha eu já tinha falado com o pai sobre isso, ele não te disse nada? Então acho que vocês é que deviam de falar essas coisas entre vocês, eu não tenho nada a ver com isso.” É nessa altura que eu ganho velocidade e saio da cozinha para ir à procura do meu marido que já sabia de tudo e não me tinha dito nada, só que sou interrompida pela pressa da minha filha que agitada me pede “ó mãe assina aí, é que eu tenho de devolver hoje isto à DT (Directora de Turma).” Coloco os meus óculos e começo a ler incrédula o papel, de olhos esbugalhados olho para a minha filha ao que ela responde, “pois desculpa mãe eu esqueci-me de te dar o papel antes, é que tens de ir à reunião lá na minha escola hoje Às 16 horas.” Eu que a esta altura do campeonato já devia de estar vestida, ainda ando com a caneca atrás de mim e em pijama. È aqui que eu começo a falar sozinha em voz alta, “bonito, agora como é que eu vou dizer àquele ao meu chefe, que só soube hoje e que não posso faltar à reunião, porque sou eu a encarregada de educação (visto o meu marido sempre se ter recusado por falta de paciência para estas coisas), e portanto não trabalho à tarde? Eu com estes pensamentos e oiço dizerem lá da porta de entrada, tchau mãe, até logo e bom trabalho. Fico perplexa, “tchau mãe? Então não esperam por mim para me darem boleia?” Ao que o meu marido já com a porta do elevador aberta me responde, “ tens de passar a levantar-te muito mais cedo, demoras muito tempo a tomar o pequeno-almoço e a vestir-te é uma eternidade, desculpa lá mas eu não posso chegar atrasado!” Escusado será dizer, que eu fico pior que ursa, fico piursa! Então eu sou a que me levanto primeiro que todos, nem chego a tomar nunca por inteiro o meu pequeno-almoço, ou porque respondo a mil perguntas, ou porque preciso de assinar papéis, quando finalmente me vou vestir e agarro uma tshirt qualquer para não perder tempo, oiço um sermão de todo o tamanho, e sou eu que os atraso! Francamente.
Daqui para a frente minha amigas, já conhecem o cenário. Enfrento uma viagem de camioneta, outra de metro e ou de autocarro, quando chego ao trabalho só tenho vontade de esganar alguém, resumindo já chego cansada e sem paciência. É só pousar as coisas e lá vem o massacre da chefia, que acha que eu não tenho mais nada na vida com que me preocupar com o que ele me diz, depois os colegas são do piorio, é só nos descuidarmos um bocadinho e záz, é punhalada certa pelas costas. E isto não me estou a referir só ao meu trabalho, todos os trabalhos sejam eles quais forem têm sempre um chefe que só vive para vos infernizar a vida e colegas que só sabem lamber as botas do chefe para subir lá dentro ou serem aumentados, e é melhor ficarmos por aqui porque ainda existem outro tipo de artifícios utilizados por certos colegas para ascenderem a cargos importantes, ou a “grandes” aumentos injustamente, falarei disso numa outra altura. O dia no trabalho é então passado entre telefonemas dos filhos a reivindicarem qualquer coisa, a pedincharem outra e o volume de trabalho que tenho, às vezes dou por mim a pensar se o meu patrão julgará que eu sou algum polvo, e que tenho tentáculos em vez de mãos. Na hora de almoço, eu podia descansar um pouco mas não, vou ao supermercado lá próximo comprar sempre algo que faz falta, ou para o jantar, ou detergentes ou frutas. Pois, é sempre só uma coisa ou duas, mas volto com dois sacos enormes cheios de compras. À saída eu vou tão carregada que mais pareço um burro de carga com tantos sacos, só me falta a albarda! Aí começa o meu martírio de regresso a casa, acerto sempre com os sacos em alguém ao entrar nos transportes é fatal, quase sempre idosos que ficam para me “comer” porque coitados ou lhes piso os joanetes porque nem consigo ver onde ponho os pés, ou lhes dei com os sacos em alguma artrose. Demoro 2 horas a chegar a casa, esse meu precioso tempo é passado dentro dos transportes públicos, é nessa altura que eu saco dos meus livros e tento estudar alguma coisa de jeito, o que se diga de passagem também não acontece. Chego finalmente a casa, faço o jantar oiço o que aconteceu aos filhos durante o dia, se é preciso ajudar nos trabalhos de casa ajudo, durante o jantar ponho uma máquina de roupa a fazer que estendo antes de me ir deitar. Nunca me deito antes da 1 da madrugada, porque tenho sempre coisas para deixar prontas para o dia seguinte, ou alguém precisa de ajuda e lá vou eu. Bom este cenário ou uns parecidos repetem-se todos os dias da semana, a vocês também, não é verdade?
Então chega finalmente o tão desejado fim-de-semana, “que bom vou descansar, estou mesmo a precisar…” é o que dizemos todas, e o que é que acontece? Eu mato-me a trabalhar (como vocês) nos meus dois dias de folga, passo a ferro a montanha de roupa que quase chega ao tecto, limpo e lavo toda a casa, mudo as camas, faço bolos e doces porque todos pedem e não consigo dizer não, e é escusado enumerar a quantidade de coisas que nos esfolamos a fazer dentro de casa, para que tudo fique no lugar e limpo e arrumado.
Foi precisamente nesta altura que eu disse a semana passada “Eh lá Madalena!!!” mas eu estou parva ou faço-me de imbecil? Nós as mulheres só complicamos, senão vejam as conclusões a que cheguei:
- Podemos limpar a casa toda e até mudar os cortinados e trocar os móveis de sítio, quando o marido chega perguntamos, “então querido gostaste, não está mais bonito e melhor?” Sim… responde ele, que nem se estica porque nem sabe ao certo como as coisas estavam antes.
- Passamos horas a confeccionar umas refeições no fim-de-semana para agradar aos filhos e ao marido, ficamos com umas dores lancinantes nas “cadeiras” de estar tantas horas de pé, isto sem falar que nem notámos mas não comemos nada durante muitas horas, resultado? Devoramos a primeira porcaria que nos aparece à mão, geralmente o que sobrou da refeição dos filhos e que nós não queremos deitar fora, achamos sempre que é uma pena.
- Quando chega a hora na cama de o nosso marido querer sexo, bom aí é que a coisa se complica, nós estamos de rastos, exaustas, irritadas e nem sabemos bem porquê, só sabemos que a primeira coisa que nos ocorre é, “como é que ele pode estar tão fresco e disposto a farra?” Eu nem tenho nem ponta de “rancor…”
Conhecem bem estas situações? Claro que sim, mas deixem que vos diga que as únicas culpadas somos nós! Eu a partir de agora, vou nos meus dias de folga mudar radicalmente de atitude. Não me vou mais matar a trabalhar em casa, acreditem ninguém quer saber, a não ser nós próprias que reparamos que está sujo ou fora do sítio. Os filhos tanto se lhes faz, a adolescência é assim mesmo, se estiver arrumado em segundo fica um caos, eles? Passam por cima nem se preocupam que os amigos que trazem a casa vejam a desarrumação. Nós é que temos vergonha que os amigos vejam o caos! Não vou mais gastar horas a cozinhar pratos especiais, que depois eles devoram em segundos, quase nem saborearam, porque tem pressa e coisas combinadas com amigos e num segundo já se levantaram e ficaram os pratos vazios. Eu fico a olhar e a sensação é mesmo de frustração.
Quanto ao nosso marido acreditem ou não, ele quer lá saber se a roupa está toda passada, ou se o pó da casa está limpo. Desde que, quando ele precise de umas calças ou camisa estejam prontas para ele usar, o resto não o incomoda. O pó? Ele nem repara e se nós limparmos o ecrã da TV para ele ver bem o futebol, então tudo na maior. Perguntei-me aqui há tempos em que mal conseguia endireitar a minha espinha de tão cansada e esgotada, o que era mais importante para ele na realidade. A casa arrumada, tudo limpo e impecável, ou ter sempre umas cervejas geladas no frigorifico, convidá-lo para sair para ir comer uns petiscos, ir dar um passeio durante o fim-de-semana e na hora de ele quer mais intimidade e sexo é claro, nós estarmos fresquinhas que nem um alho e cheias de “rancor”?
Minhas amigas a resposta é Óbvia!
Deixem que vos diga que desde que mudei de atitude aqui em casa, ando mais revigorada, mais alegre e bem disposta. Desfruto muito mais da família e até voltei a namorar mais. Sinto-me na mesma cansada à sexta-feira mas descanso e divirto-me como nunca nos fins-de-semana, em 21 anos de casada. Conselhos não dou, mas deixo aqui uma sugestão:
A nossa casa deve de estar sempre habitável e com higiene, pois a nossa casa deve de ter como função acolher todos os dias e proporcionar bem estar a todos os membros da família, mas Atenção tudo dentro de certos limites! A casa nunca deve de ser prioridade, primeiro e sempre a família, aproveitar o tempo que estamos todos juntos e usar a casa intensamente sem manias de que a seguir lá sobra para nós arrumar a sala. E aprendam a delegar tarefas, todos ajudam, no começo é um pouco difícil pois não estão habituados, sempre fomos super mães, nunca lhes pedimos nada, não é? Pois isso tem de acabar, peçam ajuda, não ficou bem feito, nós claro que tínhamos feito melhor, mas fechem as bocas e não ponham defeitos, com o tempo chegam lá e pensem que deste modo todos estão a contribuir para a manutenção da casa e principalmente para a saúde da mãe! Aprenda a ter tempo para si, para os seus filhos e para o seu marido, sem se escravizar e desfrute do tempo que passa a ganhar, pois é tempo de qualidade, tempo que lhe acrescentará anos de vida! Eu e todos cá em casa estamos radiantes com as mudanças. Já sei o que estão a pensar, “ e nunca mais houve roupa até ao tecto para passar a ferro, a sala desarrumada, ou os quartos dos miúdos num caos?” Ao que eu vos respondo, CLARO QUE SIM! Só que eu deixei de me importar ao extremo, exijo que se cumpram certas regras de modo a que o funcionamento do nosso dia-a-dia não seja afectado pela desarrumação, só isso. E depois com a crise que estamos a atravessar e com esta onda de assaltos, temos sempre uma vantagem meninas. É que se algum ladrão entrar em minha casa e olhar à volta pensa logo: “Bem, vou-me embora esta já foi assaltada a avaliar pela desarrumação, já cá esteve algum colega meu!”
Muita LUZ!

2 comentários:

  1. Bom Dia, Ana Maria . Paz e Bem para voce e toda a sua família. Muito obrigada por visitar o meu blog e deixar recadinho. Amei. Vim visitar seu blog e fui lendo, vendo seus trabalhos. Parabéns , seus trabalhos sao lindos e seu blog tem um astral muito interessante!
    Sobre o seu texto, Temos que tirar o melhor da vida, concluí que a mulher, em qualquer parte do mundo se sente com o dever de carregar a familia, de dar tudo pela casa e pela sua familia. Meu dia é bem parecido com o seu, mas eu tambem prendi a dar prazer pra mim mesma, bordando e crochetando, ficando sem fazer nada, só pensando....refletindo e quem ganha com a mudanca de vida é toda a família. Ficamos mais felizes e essa felicidade reflete no nosso lar.
    Lindo texto e essa sua amiga brasileira aqui te deseja momentos felizes com sua familia , de partilha, de amor, saude e tudo de bom.
    érica
    blog
    http://coisasdaprofessoraerica.blogspot.com/2011/09/coracao-de-croche.html

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  2. Erica, muito obrigado por passar por aquí e pelas suas amáveis palavras. Tem toda a razão, eu esqueci-me desse pormenor, tudo que é trabalhos manuais e nos dá prazer, como o crochet, bordar e até pintar faz-nos bem para a alma, é terapêutico e se nós ficamos mais tranquilas e de bem com a vida, então toda a familia vai ficar de óptimo astral!
    Muito obrigado Erica.
    Beijinhos.
    Ana Maria

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