quinta-feira, 14 de agosto de 2014

NAMORADOS DA CIDADE

ELEVADOR DA GLÓRIA - LISBOA
Namorados de Lisboa 
à beira-Tejo assentados
a dormir na Madragoa.
Namorados de Lisboa
num mirante deslumbrados
à beira-verde acordados
namorados de Lisboa!

Ao domingo uma cerveja
uma pevide salgada
uma boca que se beija
e que nos sabe a cereja
a miséria adocicada
à beira-parque plantada:
namorados de Lisboa!


Sempre sempre apaixonados
mesmo que a tristeza doa
namorados de Lisboa!


Namorados de Lisboa
na cadeira de um cinema
onde as mãos andam à toa
à procura de um poema.
Namorados de Lisboa
que o mistério não desvenda
até que o escuro se acenda.

Namorados de Lisboa
a apertar num vão de escada
o prazer que nos magoa
e depois não sabe a nada.
Namorados de Lisboa
a morar num vão de escada
namorados de Lisboa!


Sempre sempre apaixonados
Mesmo que a tristeza doa
namorados de Lisboa!

Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

TEATRO D.MARIA II - PRAÇA DO ROSSIO EM LISBOA 
LISBOA À NOITE
MUITA LUZ!

 (Fotos retiradas de pesquisa na net, desconheço os autores).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A ALQUIMIA DO ABRAÇO

Eu não tenho nenhum remédio santo, não creio que tal remédio exista mesmo, o que eu tenho é uma santa de uma paciência para aturar certas e determinadas coisas e tenho isso ,sim um ingrediente mágico, ah isso eu tenho. Sempre desde pequena que eu não sabia o que fazer numa situação, mesmo que ela fosse constrangedora, eu dava um abraço. Sei lá, aquilo saía-me era espontâneo, genuíno, mesmo cá do fundo do meu ser. Por outro lado se eu estava mesmo muito contente também distribuía abraços, ainda hoje passados tantos anos sou assim. Este é o meu remédio santo, um bom e valente abraço. É deste modo que eu cá me arranjo e me “amanho” para expressar a minha maneira de ser, se me aparecem felizes, já me chegam a estender os braços para me abraçarem, se têm queixas e dores sou eu que estico os meus e os abraço, reconfortando e garantindo que tudo vai correr bem. Hoje em dia, vai-se perdendo o hábito de abraçar as pessoas, é terrível perdermos o contacto uns dos outros, não só pela perda da magnífica energia que daí advinha, mas também pelo carinho e pela onda de amor gerada a cada abraço, onda essa que impulsionava o mundo e o renovava a cada instante, a cada segundo, a cada hora.
Por isso eu abraço quando chego ao escritório, quando chego a casa, abraço até quem não conheço só porque acho que precisa, porque acho que abraçar faz do mundo um mundo melhor mais humano, mais carinhoso, mais próximo e atento às necessidades dos outros porque quando abraçamos alguém sentimos o coração desse ser bater ao pé do nosso dentro do nosso abraço, ao ritmo do nosso, no nosso compasso, por isso não tenho como negar a humanidade desse instante, desse abraço.   
MIA PÚRPURA


MUITA LUZ!

Imagens retiradas de pesquisa da net desconheço os autores

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