quinta-feira, 3 de novembro de 2011

TIBETE - KALACHAKRA-TANTRA E SHAMBHALA

A Doutrina do Kalachakra ou Roda do Tempo, foi introduzida na Índia por volta do ano de 966 ou 967 d.C. por um homem santo chamado Tsilupa segundo uns, mas segundo outros foi introduzida por um rei de Sambhala chamado Scripala. De um modo ou de outro o certo é que esta Doutrina difundiu-se para o Tibete em 1027 d.C. marcando a data de origem do calendário Tibetano. No Tibete esta Doutrina ainda continua viva, mas na Índia foi completamente extinta.

Jonang Kalachakra Mandala
 O Kalachakra-Tantra é constituído por três partes: A parte Externa, a parte Interna e Outra. A parte Externa fornece uma descrição da origem do Universo bem como uma teoria da geografia e da astronomia onde se enfatiza a cronologia e a matemática. A parte Interna trata da formação do mundo psíquico, onde a experiência humana é constituída por quatro estados: vigila, sonho, sono profundo e orgasmo.  A Outra parte é então consagrada exclusivamente à prática da meditação na Mandala e nas Divindades, bem como às iniciações e ao estado de iluminação daí resultante.
Segundo a tradição tibetana, o Kalachakra -Tantra foi ensinado pelo próprio Buda ao Rei Suchandra em 880 a.C. quando o Rei o visitou em Andhra e lhe pediu orientações de como poderia conciliar os ensinamentos do budismo com seus deveres no dia-a-dia. Isto antes da época em que realmente viveu o verdadeiro Gautama, Suchandra seria assim filho de Shakya Shambha, membro do mesmo clã Shakya de Gautama Buda que, impelido pelos inimigos a fugir para Norte e por lá fundou o Reino de Shambhala.
Pintura Tibetana do Reino de Shambhala.

No Tibete o Reino de Shambhala é descrito como um lótus gigantesco de oito pétalas. À volta do perímetro exterior do lótus, existe uma cordilheira circular de montanhas altas cobertas de neve. Entre as oito pétalas do lótus, há oito cadeias menos altas ao longo das quais correm os rios de Shambhala. O centro, considerado o receptáculo da semente do lótus, é então rodeado por um pericarpo constituído por um anel interior de picos nevados mais baixos. Dentro desse anel, ligeiramente mais elevado sobre as pétalas, está Kalapa  a capital, com cerca de 60 km.
Em Tibetano Shambhala,  bde 'byung  que significa "Origem da Felicidade" é assim considerado um Reino Mítico associado à simbologia da “Fonte da Felicidade” desempenhando um papel crucial no Budismo Tibetano. Segundo a Lenda os salvadores da humanidade virão de Shambhala no momento em que o mundo for dominado pelas guerras e destruição. Os Tibetanos consideram-no um lugar onde é possível refugiar-se em tempos difíceis. Mas tanto no Tibete como na Mongólia esta lenda e as suas profecias chegaram mesmo a ser identificadas com pessoas e com poderes políticos bem reais, como foi o caso dos Mongóis que identificaram Genghis Khan como sendo a  reencarnação do Rei Suchandra de Shambhala.
O terceiro Panchen-Lama (1738-1780) já havia redigido um guia chamado “Sham-bha-la’i lam-yig”, ou  Guia para Shambhala” fornecendo indicações sobre  o caminho para esse reino, guia esse que hoje faz parte do cânon tibetano, no qual dá indicações para alcançá-lo que são em parte geográficas, mas também indica uma enorme quantidade de exercícios espirituais para a alcançar.  Para o XIV Dalai Lama Tenzin Gyatso, Shambhala existe unicamente como um Reino Espiritual, que só pode ser atingido através de uma prática intensiva de meditação acerca do Kalachakra.

Para aqueles que acreditam numa origem histórica para a lenda de Shambhala,  acreditam estar relacionada com a cultura budista que floresceu no oásis do vale do Tarim (atual Xinjiang, na China). Trata-se de uma área oval de 400 mil km², rodeada pelas cordilheiras nevadas de Kunlun, Pamir e Tien Shan, em cujos oásis noutros tempos terão existido vários principados budistas. O mais importante destes principados Budistas foi o Reino de Khotan, que existiu no lado sul dessa bacia até cerca de 1000 d.C. e cuja antiga capital é hoje chamada Hétián.
Esta lenda chegou ao Ocidente pelas mãos dos Portugueses Missionários católicos João Cabral e Estêvão Cacella, que ouviram falar de shambhala e deduziram ser outro nome dado a Cathay ou à china. No ano de 1833 o Húngaro Alexander Csoma de Köros fazia o primeiro relato geográfico acerca de “um país fabuloso situado entre 45º e 50º de latitude Norte”. Já no século XIX Helena Blavatsky aludiu ao mito de Shambhala, trazendo-o ao conhecimento dos ocultistas ocidentais, mas nunca desenvolveu este tema, seriam os seus discípulos Annie Besant e  C.W. Leadbeater, que formularam a ideia de ter sido uma cidade onde outrora teria sido forjada a "raça ariana" e onde nas suas ruínas os Iniciados continuariam a reunir-se periodicamente com as divindades governantes da Terra. Em 1926 e 1928 agente soviético Yakov Blumkin e o místico Nicholas Roerich, lideraram duas expedições ao Tibete para tentarem descobrir shambhala, também os nazistas Rudolf Hess e Heinrich Himmler, terão enviado expedições para o Tibete nos anos de 1930 até 1939 mas sem sucesso.

Para finalizar convém referir que várias obras de ficção foram inspiradas por esta lenda, dentro das quais a mais conhecida é o romance “Horizonte Perdido” de James Hilton no ano de 1933, onde Shambhala se transforma em Shangri-La, um imenso vale perdido nas montanhas Kunlun, que era utopicamente governado por uma lamaseria e onde as pessoas se tornavam quase imortais. O romance foi então adaptado para o cinema em 1937, pelo realizador Frank Capra.

Muita Luz!


(Imagem da Mandala de Kalachakra retirada 
Do site http://www.jonangpa.com/
Pintura tibetana da Shambhala retirada
do blog http://agartha-edicoes.blogspot.com)






2 comentários:

  1. Adorei saber um pouco mais sobre essa lenda, já tinha ouvido falar dela mais muito superficial.

    Amei as belezas das pinturas.

    Te desejo um final de semana de paz e grandes alegrias.

    Beijos de baunilha.
    Lua.

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  2. Obrigado Lua.
    Beijinhos de Amores-Perfeitos.
    Ana Maria

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