sábado, 16 de abril de 2011

EM MEMÓRIA DA MINHA QUERIDA IRMÃ MINDA.

Faz hoje 2 anos que me morreste! Estivemos sempre juntas, por pior que estivesses eu estava lá. Quando fizeste a primeira quimioterapia e tiveste que cortar o teu cabelo, eu cortei o meu cabelo com a máquina para te sentires melhor e funcionou, quando saiamos juntas não olhavam só para ti, mas para nós as duas, porque nem tu nem eu tínhamos cabelo. E nós riamos e divertíamo-nos com isso. Quando começaram as cirurgias, voltavas sempre para casa muito combalida mas eu estava à tua espera, sentia as tuas dores o teu desconforto, deitava-te na cama aconchegava-te as almofadas e simplesmente deitava-me a teu lado sem dizer nada, esperava pacientemente que quisesses começar a comunicar, só então é que falava contigo. Durante 9 anos, vivi toda a tua luta diária contra o cancro, assisti a coisas que nunca me irei esquecer e falamos de coisas que nunca irei dizer. Dava-te a medicação, fazia-te massagens nas costuras das cirurgias durante horas para que a costura interior se descolasse e te conseguisse aliviar as dores. Cheguei a tirar-te pontos das costuras porque te incomodavam e não dizia-mos a ninguém, já sabíamos que nos iam chagar o juízo. Éramos cúmplices em tudo, os nossos maridos sempre estiveram à margem dos nossos dias. Lembro-me de que mesmo quando o teu diagnóstico piorava, estávamos sempre a rir, tinhas um riso lindo e adoravas todas as parvoíces que eu dizia. Nós as duas falávamos sempre do cancro com muita frontalidade, sem medos nem rodeios, fazíamos planos para quando viesse o pior cenário, estávamos preparadas para o pior. Mas o pior ia sempre sendo adiado, tu lutavas e resistias e eu apoiava-te dia e noite e não te deixava perder a esperança, nem a alegria de viver. Todos os anos fizeste uma cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A pior químio que fizeste fez com que te caísse todas as tuas unhas, mas é que nunca ninguém vai sequer poder imaginar o teu sofrimento, não conseguias tocar com as mãos em nada, aí eu vestia-te, dava-te de comer, dava-te banho e tratava de te por sempre confortável e nunca e deixei sozinha. Sofria contigo, chorava contigo, ria contigo. Até ao dia 14 de Abril, em que pioraste tanto que tiveram que te vir buscar de ambulância para te levar para o IPO. Uma metáste do cancro tinha-te subido ao cérebro e tu já nem falavas, agarrei-me aos meus filhos e ao teu filho, olhámos para ti, olhámos para a ambulância a afastar-se e nesse instante eu senti que nunca mais te iríamos ver com vida. E foi isso que aconteceu, no dia 15 de Abril de 2009 MORRESTE-ME! Fiquei com os meus filhos e com o teu filho, se fosse ao contrário sei que farias o mesmo, o teu marido não vive com o teu filho, partilham só a mesma casa. Aqui na minha casa o teu filho desabafa, ri-se, estuda e come quando quer, nunca o obrigo a nada, vai connosco de férias para onde nós vamos, dorme aqui quando quer, a minha casa é a sua casa. Hoje fomos só o teu filho e eu, logo bem cedinho ao cemitério, precisávamos de um momento de silêncio no sítio onde colocaram as tuas cinzas. Ele deixou-te uma rosa branca, eu não te deixei nenhuma flor, deixei-te a certeza de que podes ficar descansada que vou cuidar do teu filho, como cuido dos meus, com muito amor, carinho e compreensão. São todos adolescentes, têm manias, ideias malucas e estão sempre a esticar a corda para experimentarem coisas novas, nós também já fomos assim, por isso é que os compreendo. Hoje senti que estás bem, em paz, fico contente e feliz por ti, o teu espírito está livre, livre de um corpo doente, livre de dores. Muitas vezes sinto o teu espírito perto de mim, nessas alturas falo muito contigo, falamos as duas durante muito tempo sem sequer trocarmos nenhuma palavra. Deve parecer estranho, mas eu sou assim e tu sabias disso e gostavas de mim, mesmo eu tendo nascido com “defeito de fabrico”. Faz hoje 2 anos que te foste embora, e a minha alma perdeu algo que nunca mais vai encontrar aqui nesta vida, TU! Não me deixaste só sozinha, deixaste-me perdida. Perdida de mim. Até sempre Mana Minda, ficarás para sempre no meu coração. Saudades. Beijinhos e palhaços como sempre dizíamos.
Muita Luz!     

1 comentário:

  1. Querida Ana Maria, só hoje li sua homenagem a sua amada irmã. As melhores palavra são aquelas, que não falamos com a boca, e sim, com o olhar, com o tocar. É muito gratificante, deitarmos a cabeça no travesseiro, fechar os olhos, e ter consciência que fizemos tudo, e até mais por outra pessoa. Pelo seu depoimento, tenho certeza que você subiria aos céus, se possível, e pegaria a estrela mais brilhante, só para vela-la sorrir. Mais agora "ELA" é a estrela, muito brilhante para iluminar seu caminho e o caminho daqueles que ela ama. Um Homem espiritualizado chamado "Francisco Cândido Xavier, disse a muito tempo atrás, que "...a saudade é sentida nos dois mundos e o amor também...".
    Beijinhos cheios de estrelas no seu coração.
    Lua.

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